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Edição 8: Histórias de Consciência  
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Boletim Informativo dos Direitos Humanos do Falun Gong, Artigo 8
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Artigo 8, 2005 Se encontrar dificuldades para ver este boletim, por favor clique aqui.   

 

Caro leitor,

As histórias apresentadas nesta edição do boletim são escolhidas a partir de nossa mais recente publicação, “Histórias de Consciência”.

Elas nos lembram da perseguição, ainda em andamento, contra os praticantes do Falun Gong na China. As histórias falam sobre as crianças inocentes, e que se tornaram órfãs, porque seus pais foram vítimas da perseguição, e sobre mulheres idosas que foram torturadas até a morte. Os gritos de dor das vítimas eram frequentemente abafados com pedaços de pano colocados em suas bocas. Esssas pessoas foram torturadas por meios tão bizarros que é difícil compreender como a mente humana pode sequer chegar a concebê-los. Esses praticantes poderiam ser a mãe amada de alguém, a avó, o filho, a filha, o cônjuge ou um vizinho próximo...

As pessoas nessas histórias praticam o Falun Gong e acreditam nos princípios da Verdade, Compaixão e Tolerância. Eles poderiam ter sobrevivido, se tivessem simplesmente aceitado renunciar às suas crenças. Eles poderiam ter sido libertados, se tivessem sucumbido à lavagem cerebral e à tortura e se tivessem traído as suas consciências. No entanto, eles corajosamente escolheram permanecer firmes em suas crenças, não apenas para si, mas também para o bem do povo chinês.

Obrigado por sua consideração.

Grupo de Trabalho dos Direitos Humanos do Falun Gong

Conteúdo:

Uma menina calada


O pai de Xinyu, o Sr. Huang Ke, trabalhou para o Décimo Departamento de Pesquisa do Instituto de Pesquisa da Indústria Química Petrolífera de Fushun. Sua mãe, a Sra. Zhong Yunxiu, era professora de inglês numa escola de ensino médio na cidade de Beisanjia.

Na noite de 24 de abril de 1999, ao saber que a polícia da cidade de Tianjin havia detido, arbitrariamente, os praticantes do Falun Gong, o Sr. Huang e a Sra. Zhong acharam que deveriam ajudar o governo a entender o Falun Gong e, por isso, ambos foram a Pequim. Entre 25 abril e 20 de julho daquele ano, o casal foi a Pequim várias vezes. Eles foram ao Escritório de Recursos do governo central e à Estação Central de Televisão Chinesa para dizer às pessoas a verdade sobre o Falun Gong. O Sr. Huang também apresentou materiais sobre o Falun Gong ao Presidente e ao Secretário do Comitê do Partido Comunista, em seus locais de trabalho.

Em 21 de julho de 1999, a Sra. Zhong e o Sr. Huang foram a Pequim apelar ao governo pelo fim da perseguição ao Falun Gong. No dia seguinte, a mídia estatal começou uma massiva campanha de propaganda anti-Falun Gong, e a polícia de Pequim vasculhou os hotéis a procura de praticantes do Falun Gong, prendendo-os à vontade. O casal foi preso e enviado de volta à sua cidade natal, mas conseguiram escapar. Para evitar serem presos novamente, eles passaram a viver nas ruas, mudando constantemente de um lugar para outro. No final de setembro de 1999, ambos foram presos na região de Jietaisi, em Pequim. A polícia os escoltou de trem de volta para Fushun. Na tentativa de escapar da prisão ilegal, a Sra. Zhong saltou do trem. Ela morreu por causa dos ferimentos aos 26 anos de idade, quando Xinyu tinha menos de dois anos. Xinyu sente muito a falta da mãe.

Após a morte da Sra. Zhong, a Comissão de Política e Direito da cidade de Fushun e a delegacia local de polícia deteve e torturou várias vezes o pai de Xinyu e o mandou para uma sessão de "lavagem cerebral" porque ele se recusava a abandonar o Falun Gong. Além disso, o Sr. Huang foi demitido de seu emprego. Xinyu vivia com medo de perder também o seu pai.

No final de 2000, o Sr. Huang via a perseguição se intensificado a cada dia, e decidiu ir novamente a Pequim apelar ao governo central. Ele desfraldou uma bandeira com os dizeres "Falun Dafa é bom", na Praça Tiananmen [Praça da Paz Celestial]. A polícia o deteve e o prendeu na cidade de Fushun. Após o terem torturado até a beira da morte, a polícia ordenou a sua família que o levassem para casa.

Foto do casamento dos pais de Xinyu,
o Sr. Huang Ke e a sua esposa
a Sra. Zhong Yunxiu.
Em 18 de março de 2003, alguém denunciou o Sr. Huang à polícia por haver pintado o dizer "Falun Dafa é bom", em uma parede. Ele foi condenado a sete anos de prisão. Para protestar contra os maus-tratos na prisão, o Sr. Huang entrou em greve de fome. Então, os guardas penitenciários ordenaram aos detentos criminosos para que o alimentassem à força. Após mais de dez dias de tortura, o Sr. Huang esteve novamente à beira da morte. Então, a polícia o liberou para evitar a responsabilidade no caso de ele morrer.

No final de junho do mesmo ano, policiais da Delegacia de Polícia de Guangming, distrito de Wanghua, em Fushun, detiveram o Sr. Huang novamente e o prenderam no Primeiro Centro de Detenção de Fushun. Ele entrou mais uma vez em greve de fome e sofreu alimentação forçada diversas vezes. Após dez dias de tortura, o Sr. Huang morreu sob custódia da polícia às seis horas da manhã do dia 3 de julho de 2003.

Xinyu não podia acreditar que seu pai tinha morrido, e sempre procurava por ele. Agora que seus pais se foram, ela mora com os avós. Seu coração dói ao ver que seus colegas de classe têm os pais para cuidar deles. Xinyu se tornou uma menina muito calada que raramente fala com as pessoas.

 

Carta para minha mãe


O Sr. Bai Xiaojun, professor universitário, escreveu a sua mãe enquanto esteve preso no Campo de Trabalho de Chaoyanggou. Esta foi a última carta que ele escreveu para ela. Seis meses depois, ele foi torturado até a morte.

O Sr. Bai Xiaojun, de 35 anos, mestre em filosofia, era professor na Universidade Normal do Nordeste, na província de Jilin. A sua mãe e o seu irmão, o Sr. Bai Xiaohua, também eram praticantes do Falun Gong. Em julho de 2000, ele foi condenado um ano de trabalhos forçados por ter ido a Pequim apelar ao governo pelo fim da perseguição ao Falun Gong. Posteriormente, sua sentença foi prorrogada porque ele não renunciava a sua crença no Falun Gong.

No Campo de Trabalhos Forçados de Chaoyanggou, no início de junho de 2003, sua condição se tornou tão grave que ele vomitava tudo o que comia. Ele estava tão fraco que não conseguia ficar de pé. A tortura prolongada e as más condições de vida fizeram a sua saúde se deteriorar até deixá-lo fraco demais para cuidar de si mesmo e incapaz de comer. Ele não conseguia nem mesmo beber água. Em 6 de julho de 2003, os guardas perceberam que ele estava morrendo e, finalmente, o mandaram para o Hospital de Epidemias da cidade de Changchun, onde ele foi diagnosticado com tuberculose. Àquela altura, contudo, já era tarde demais para salvá-lo.

Pouco antes da sua morte, as autoridades do campo de trabalho ordenaram à sua família para que viessem buscá-lo. Um dos parentes do Sr. Bai o viu pouco antes de sua morte e ficou chocado. Ele estava tão desnutrido que se podiam ver os ossos. Seu corpo estava fraco e inchado, coberto por cicatrizes da tortura. Um raio-X mostrou que um de seus pulmões havia colapsado – o pulmão não podia nem mesmo ser visto no raio-X. O Sr. Bai morreu antes que sua mãe chegasse. A sua família insistiu muito para obter os seus registros médicos. Quando finalmente recebeu os documentos de diagnóstico, leram o seguinte: hepatite causada por substâncias medicamentosas, condição física extremamente debilitada, edemas e cicatrizes por todo o corpo. Mais tarde, o médico disse à família: "Este paciente não teria morrido em circunstâncias normais."

No final de 2001, o irmão do Sr. Bai Xiaojun, o Sr. Bai Shaohua, também foi preso por apelar ao governo pelo fim da perseguição ao Falun Gong. Ele está detido no Campo de Trabalho de Tuanhe em Pequim. A última vez que sua mãe foi autorizada a visitá-lo, ele tinha um osso quebrado por espancamento e uma laceração na cabeça que estava enfaixada.

Um trecho da última carta do Sr. Bai Xiaojun para a sua mãe

Querida mãe, como está?

Sua carta de 24 de novembro me ajudou a entender a sua situação e a de Xiaohua. Esta é a segunda vez que eu tive notícias de casa, desde que a minha sentença no campo de trabalho começou em 2000.

Eu fui detido em julho de 2000. Durante o primeiro ano, eu estive preso no Campo de Trabalho de Fenjin, na cidade de Changchun. Como você ouviu dizer mais tarde, eu realmente estive "incapacitado" por algum tempo. No Campo de Trabalho de Fenjin, meus braços e pernas ficaram machucados por duas vezes devido a espancamentos. Felizmente, os ossos não foram quebrados. Mais tarde, eu estive no Hospital da Polícia da província de Jilin por mais de um mês por causa da sarna. Eu não conseguia tomar banho ou lavar as minhas roupas. Eu tinha que contar com colegas praticantes para lavar todas as minhas roupas por mim. A última vez que nos falamos, nós não tivemos tempo suficiente para terminar a conversa, mas as informações que você tem ouvido falar ao meu respeito são verdadeiras.

Eu fui enviado para o Campo de Trabalho de Fenjin em agosto de 2000, e fui mantido lá até abril do ano seguinte. Em 11 de abril de 2001, eu fui transferido para o Campo de Trabalho de Weizigou, onde fiquei até 12 de fevereiro de 2002, véspera do Ano Novo Chinês, de modo que eu fui mantido no campo de trabalho por um ano e meio no total. Eles não me soltaram quando a minha sentença acabou. Em vez disso, no dia em que eu deveria ter sido liberado, eles me mandaram para um centro de reeducação forçada, lavagem cerebral, onde eu permaneci por um mês. Posteriormente, eu fui mandado para a Terceira Penitenciária da cidade de Changchun e fiquei lá por mais quase um mês. Então, eu fui condenado a uma sentença de mais três anos de trabalhos forçados no Campo de Trabalho de Chaoyanggou. Eu tenho estado aqui desde então. Este é um resumo do que tem me acontecido desde a minha prisão.

Desde a minha prisão, eu tenho estado longe de você, mas tenho recebido muita atenção por parte dos companheiros praticantes. Eles estão sempre pensando em mim quando há mudanças de estações. Eles enviam roupas e outras necessidades através de vários canais. Por isso, eu não tenho sofrido com o frio, mesmo durante o inverno mais rigoroso. Pelo contrário, eu às vezes tinha mais roupas do que o necessário. Agradeço imensamente a ajuda e cuidado de todos. Você não precisa se preocupar comigo.

Até agora, eu tenho estado bem em todos os sentidos...

Nos últimos dois anos, eu tenho alcançado um entendimento melhor e melhor sobre o verdadeiro significado da vida. Se um dia eu recuperar a minha liberdade, acredito que poderei me comportar melhor em todas as áreas.

Eu não estou preocupado com Xiaohua. Ele sabe o que faz...

Mãe, eu espero que um dia, quando nos encontrarmos, a sua saúde e todas as outras condições me causem uma surpresa agradável. Mãe, eu acredito que o dia em que nossa família vai se reunir não está muito longe.

Vou parar por aqui. Você não tem que responder-me, se não houver uma notícia especial.

Xiaojun

28 de dezembro de 2002

 

Uma história de amor


A Sra. Dong Cuifang era ginecologista e pediatra no Hospital da Saúde da Mulher e da Criança do Distrito de Shunyi, em Pequim. Ela nasceu na Vila Zhang, município de Xing’an, cidade de Gaocheng, na província de Hebei. Seu noivo, o Sr. Shen Wenjie, de 29 anos, era um conceituado piloto no aeroporto de Beijing. Eles estiveram juntos por quase dez anos e trocaram centenas de cartas, mas não puderam se casar por causa da perseguição ao Falun Gong iniciada em 20 de julho de 1999.

Por terem repetidamente apelado ao governo pelo fim da perseguição ao Falun Gong, eles foram detidos e torturados muitas vezes. Em 2000, ambos foram demitidos de seus postos de trabalho em Pequim por terem se recusado a parar de praticar o Falun Gong. Depois de deixarem Pequim, eles foram a muitos lugares dizer ao povo chinês a verdade sobre o Falun Gong e os fatos sobre a perseguição.

Foto da Sra. Dong Cuifang
recebendo o seu diploma
de Mestrado
Em 26 de dezembro de 2001, o casal foi detido e preso no Centro de Detenção de Shunyi em Pequim por ter distribuído panfletos sobre a perseguição ao Falun Gong. As autoridades permitiram que eles se vissem apenas uma vez por semana. Toda vez que eles se encontravam, encorajavam um ao outro para superarem as dificuldades e permanecerem firmes em suas crenças. Mais tarde, eles não foram mais autorizados a se encontrarem. Em uma tentativa de forçar a Sra. Dong a renunciar ao Falun Gong, os guardas a submeteram a vários métodos de tortura. Quando ela iniciou uma greve de fome para protestar contra a detenção, eles passaram a alimentá-la à força (a alimentação forçada é utilizada como uma forma de tortura).

Em 11 de março de 2003, a Sra. Dong foi transferida para a Penitenciária Feminina de Daxing em Pequim, onde sofreu novas perseguições. O diretor do Terceiro Setor, Tian Fengqing, exigiu que a Sra. Dong escrevesse uma "carta de admissão de culpa", mas ela insistiu que não havia nada de errado em praticar o Falun Gong e se recusou a escrever a carta. O diretor Tian ficou furioso e instruiu a oficial Xi Xuehui de que ela e os demais guardas deveriam alcançar rapidamente certa "taxa de sucesso de transformação" a fim de obterem os seus bônus. Três guardas prisionais empregaram repedidas vezes vários métodos de tortura brutal para forçar a Sra. Dong a abdicar o Falun Gong. Ela morreu por causa da tortura às 5hs24min do dia 19 de março de 2004, apenas oito dias após a sua transferência. Ela tinha 28 anos de idade.

Os pais da Sra. Dong apelaram ao Centro de Identificação Médica em Pequim para que realizassem uma autópsia. Como resultado, constatou-se que as pernas da Sra. Dong estavam severamente inchadas; a pele abaixo dos joelhos estava coberta por feridas purulentas e sangrentas; havia um buraco em sua cabeça, e o músculo do seu ombro direito havia sido arrancado do osso. Os exames de laboratório revelaram que ela tinha sido torturada. Quando seus pais processaram as três guardas prisionais que a haviam torturado, a polícia local os ameaçou e os obrigou a retirar o processo. Além disso, seus pais eram impedidos de ter contato com outros praticantes.

As autoridades esconderam a notícia da morte da Sra. Dong do seu noivo e o transferiram secretamente para um campo de trabalho no distrito de Daxing. Não se tem notícias dele desde então. Ele ainda espera encontrar-se com a noiva após a libertação.

 

A última visita


A Sra. Li Yinping
Em 4 de junho de 2001, a Sra. Li Yinping estava apenas visitando a casa de um colega praticante na Vila Majia, cidade de Shouguang, região de Weifang. Policiais da Delegacia de Polícia de Shouguang vieram prender a Sra. Li e todos os demais praticantes que estavam lá. Eles foram todos detidos na Delegacia de Sunji, embora não houvesse nenhuma acusação criminal legítima contra eles. Eles foram obrigados a permanecer na área externa da delegacia expostos ao sol escaldante. A Sra. Li também foi interrogada e espancada. Posteriormente, e sem qualquer procedimento legal, a polícia interrogou os outros praticantes no Centro de Detenção de Shouguang.

Na tarde de 6 de junho de 2001, a Sra. Li, juntamente com os outros praticantes do Falun Gong detidos, pediram para que fossem todos libertados incondicionalmente. Em resposta, os policiais arrastaram a Sra. Li pelo corredor e a espancaram com um bastão de borracha. Depois de ingerir álcool, cinco a seis policiais começaram uma nova rodada de tortura. Eles bateram em seu rosto, torceram um dos seus braços por detrás das costas, agarraram os seus cabelos e puxaram sua a cabeça para trás; então surraram todo o seu corpo com cassetetes de borracha e aplicaram choques com bastões elétricos. Os policiais despiram totalmente a Sra. Li para causar-lhe mais dor ao baterem sobre a pele desprotegida. Depois de a terem espancado, os policiais a acorrentaram à cadeira de ferro, um aparelho de tortura. Após uma pausa, o diretor do centro de detenção e chefe de equipe, Wang, juntamente com outros guardas, se revezavam aplicando choques em seus órgãos genitais com bastões elétricos. O corpo todo da Sra. Li estremecia e tornou-se roxo escuro e preto. Ela sofreu intensa dor e chegou a perder a consciência várias vezes. A cada vez, os guardas a reanimavam com água fria, para que pudessem continuar aplicando os choques elétricos. Um dos policiais ameaçou estuprá-la e matá-la. Eles continuaram a torturá-la com os bastões elétricos, mesmo depois que ela começou a vomitar sangue. Essa tortura durou várias horas. A Sra. Li ficou presa à cadeira de ferro e continuou vomitando a noite toda. No início da manhã seguinte, 7 de junho de 2001, a Sra. Li tinha perdido a consciência e seu pulso não pôde ser detectado. Apesar disso, os policiais não a levaram para o hospital. Finalmente, eles reconheceram que ela estava à beira da morte, e, por isso, policiais a paisana a levaram para o Hospital Popular da cidade de Shouguang, onde ela morreu no mesmo dia.

 

O desejo de um paciente com leucemia


Quando o Falun Gong foi tornado ilegal em julho de 1999, o Sr. Hu Qingyun escreveu cartas a governantes relatando como a prática do Falun Gong havia restaurado a sua saúde. Como resultado, ele foi preso duas vezes. A polícia revistou a sua casa e confiscou as suas economias em dinheiro, dois certificados de títulos de propriedade privada, e sua valiosa residência pessoal. A polícia informou que ele não seria ressarcido por suas propriedades confiscadas.

"Praticantes do Falun Gong se beneficiam com a prática e o cultivo. Eles entendem como se tornar pessoas com padrões morais elevados e o que significa ser verdadeiramente bom."
O Sr. Hu não podia praticar o Falun Gong enquanto esteve preso. Neste período, ele começou a sangrar pela boca e o nariz, e manchas de sangue apareceram por todo o seu corpo. Ele perdeu a consciência duas vezes. Temendo que ele morresse no centro de detenção, as autoridades locais o soltaram em 9 de agosto de 1999. Uma vez em casa, e após retomar a sua prática do Falun Gong, ele recuperou a saúde novamente.

Em agosto de 1999, as autoridades locais espalharam a falsa notícia de que a doença do Sr. Hu havia sido curada devido ao tratamento hospitalar, e não por praticar o Falun Gong, o qual difamaram. O Sr. Hu escreveu então uma carta contando a sua verdadeira história e a postou em um sítio estrangeiro em 19 de fevereiro de 2000. Como resultado, ele foi preso em 21 de abril daquele ano. Em 10 de janeiro de 2001, após nove meses de detenção, o 1º. Tribunal Regional de Nanchang o condenou a uma pena de sete anos de reclusão. Enquanto esteve preso, não lhe era permitido praticar o Falun Gong e a sua leucemia retornou. Em 22 de março de 2001, ele morreu no Hospital Prisional de Jiangxi.

Carta do Sr. Qingyun Hu aos líderes da China

Caro Presidente Jiang Zemin, Premier Zhu Rongji e outros líderes em causa,

Eu era um oficial da Corte Suprema da província de Jiangxi e um ex-membro do Partido Comunista. Eu trabalhei na área de legislação e regulamentação por 16 anos. Eu nunca fui contra o partido ou o governo [...]. Venho por este meio informar-vos a minha situação atual e a verdade sobre o meu caso.

Em 21 de agosto de 1999, o jornal Tarde de Nanchang publicou em sua manchete que eu havia sido instruído a escrever um artigo sobre como o Falun Gong havia me dado uma "segunda vida". [...] O artigo declarava que eu havia sido "hospitalizado seis vezes durante a prática do Falun Gong, de 28 de junho de 1997 até o presente... " O jornal usou este artigo para acusar o Falun Gong de enganar as pessoas.

A verdade sobre este assunto é que, antes de praticar o Falun Gong, eu sofria de muitas doenças, incluindo dores de estômago, dores de garganta, infecções nasais, dores no pescoço, suprimento insuficiente de sangue no cérebro, e anemia crônica. [...] Em 1997, eu desenvolvi uma doença incurável, leucemia aguda, um dos tipos mais agressivos de leucemia. Durante o tratamento de emergência, eu também fui infectado com os vírus da hepatite B e C, as mais graves formas de hepatite e tuberculose pulmonar. [...] Apenas nos últimos momentos da minha vida eu comecei a praticar o Falun Gong. [...] Então, um milagre realmente aconteceu, e minha vida foi prolongada. [...] Não muito tempo depois de ter começado a praticar, eu gradualmente parei com os tratamentos químicos, transfusões de sangue, medicamentos e todos os outros tratamentos. Minha experiência mostrou que houve um efeito notável, no meu corpo, devido ao cultivo e à prática do Falun Gong. [...]

No entanto, o jornal intencionalmente alegou que os meus cinco internamentos, antes da prática do Falun Gong, tinham realmente acontecido após ou durante a minha prática, desconsiderando o fato de que eu nunca mais voltei ao hospital para tratamento depois de praticar o Falun Gong. [...] Eles fabricaram esta mentira para difamar e enganar as pessoas sobre o Falun Gong.

Durante os vários meses em que eu estive no hospital, as minhas despesas médicas chegaram a 320 mil yuans, e eu quase morri no hospital várias vezes [...]. Os cientistas e médicos não podiam salvar ou prolongar a minha vida. No entanto, através da prática do Falun Gong, eu consegui sobreviver. Este é um fato que ninguém pode negar, possivelmente [...]. O pesado encargo financeiro e a pressão mental sobre a minha família também foram aliviados. Além disso, o governo também economizou uma grande quantidade de despesas médicas [...].

Em agosto de 1999, as estações de TV e jornais de Nanchang divulgam a notícia de que eu havia sido hospitalizado mais uma vez. Um repórter entrevistou um dos médicos seniores do hospital, o qual nunca havia se encontrado comigo antes e não sabia nada sobre o meu histórico de tratamento. Este médico disse ao repórter: "Hu Qingyun recebeu alta depois de haver sido curado de leucemia em nosso hospital. Isso não tem nada a ver com o Falun Gong." Eu perguntei ao médico por que ele havia mentido. Ele me respondeu que qualquer um faria o mesmo diante do clima tenso por causa da perseguição, e me pediu para não levar o caso muito a sério.

A verdade é que em 21 de julho de 1999, eu fui detido pela polícia sob a alegação de "perturbação da ordem social com outras pessoas". [...] Na prisão, não me permitam praticar o Falun Gong. Dentro de alguns dias, comecei a sangrar pela boca e nariz e apareceram manchas de sangue por todo o meu corpo. Eu perdi a consciência duas vezes. [...] Após exame, os médicos disseram que a minha pressão arterial estava muito baixa, que a leucemia era muito grave, e que seria melhor começar o tratamento o mais rápido possível. [...]

Em dezembro de 1999, eu fui demitido do meu trabalho por ter participado de uma petição ao governo provincial em favor do Falun Gong e escrito um artigo contando a minha experiência com o Falun Gong. [...]

O propósito desta carta é convidá-los a conhecer a verdade sobre a perseguição que sofri. Imaginem os senhores, como poderia uma pessoa – um paciente de leucemia – suportar tal perseguição e a prisão [...]? Foi por praticar o Falun Gong que eu fui capaz de suportar tantas aflições e perseguições. Tendo sido "desenganado" pelos médicos nos hospitais tantas vezes, não há nada que eu não possa realmente deixar de lado. Eu não estou interessado na política e nunca farei nada contra o Partido e o governo. Eu tampouco aceito ser usado por políticos para difamar o Falun Gong. [...]

Finalmente, gostaria de dizer algumas palavras – a verdade – do fundo do meu coração. Os praticantes do Falun Gong se beneficiam com a sua prática e o cultivo. Eles entendem como se tornar pessoas com padrões morais elevados e o que significa ser verdadeiramente bom. Eles não acreditam em pregações ou "controles mentais". [...] Como seria possível pedir-lhes ou forçá-los a desistir de sua prática?

Hu Qingyun

Um praticante da província de Jiangxi

 

O destino de uma família


He Wanji e Zhao Xiangzhong

A Sra. Zhao Xiangzhong e o seu marido, o Sr. He Wanji, um muito respeitado policial da Seção de Segurança da Estação Ferroviária de Xining, província de Qinghai. Eles viviam na cidade de Xining e eram ambos praticantes do Falun Gong. Como resultado da prática, um tumor no cérebro do Sr. He desapareceu. Vendo a sua notável melhora, os seus pais e o irmão também começaram a praticar o Falun Gong. Depois que o governo central começou a perseguição ao Falun Gong, a esposa do Sr. He, Zhao, foi presa no Campo Feminino de Trabalho de Qinghai em quatro ocasiões diferentes por causa da sua persistência em praticar o Falun Gong.

Em novembro de 2002, no momento da quarta detenção da Sra. Zhao, seis carros da polícia cercaram a casa do casal. A polícia deteve e manteve presos todos os membros da família por mais de 12 horas. A Sra. Zhao foi então enviada ao Campo Feminino de Trabalho de Qinghai, onde foi confinada em uma solitária, espancada e obrigada a dormir no chão frio de concreto. Quando ela foi solta, estava paralisada da cintura para baixo e sofria de fortes dores no peito. Ela estava abatida e não conseguia comer nem beber. Zhao permaneceu paralisada até a sua morte em 22 de fevereiro de 2003 com a idade de 50 anos.

O Sr. He também sofreu perseguição implacável por continuar a praticar o Falun Gong. Ele foi enviado para o Campo de Trabalho de Qinghai, onde a tortura causou dano aos seus quadris e dormência no corpo. Em 30 de dezembro de 2002, o Tribunal Intermediário da cidade de Xining o condenou a 17 anos de prisão por ter ajudado a transmitir programas de televisão expondo as violações aos direitos humanos sofridas pelos praticantes do Falun Gong na China. Ele foi então enviado à Penitenciária Haomen, em Haibeizhou, município de Menyuan, onde foi torturado até a morte em 28 de maio de 2003 aos 53 anos.

Quando a família do Sr. He viu os seus restos mortais, havia buracos de agulha em seu corpo, sangue escorrido de seu nariz, e o seu braço direito estava coberto por hematomas preto azulados.

Durante o tempo de detenção do casal, e mesmo depois de suas mortes, as autoridades locais invadiram a sua casa e a saquearam várias vezes, confiscando dinheiro e bens domésticos.

O irmão do Sr. He, o Sr. He Wanzhu, também foi preso em sua própria casa, enquanto estava reunido com outros praticantes do Falun Gong. Durante a prisão, a polícia saqueou a sua casa e confiscou mais de 6.000 yuans em dinheiro. Ele foi sentenciado a três anos de trabalhos forçados no Campo de Trabalho de Qinghai, onde foi torturado e servido com comida envenenada. Isto causou dormência nos lábios e congestionamento no peito.

Após a morte do Sr. He a da Sra. Zhao, o pai do Sr. He, em idade avançada, sofreu grande dor por causa das suas mortes, e a prisão e tortura do seu outro filho no campo de trabalhos forçados. Ele faleceu em 30 de janeiro de 2004.

Toda a família foi perseguida. Em 2001, a mãe do Sr. He, Zhao Yulan, com 71 anos de idade, foi detida no Centro de Detenção do município de Huangzhong por mais de 40 dias por haver enviado alguns materiais sobre o Falun Gong ao seu filho, enquanto ele estava preso no campo de trabalho. Em 12 de maio de 2004, no meio da noite, nove oficiais da Delegacia de Polícia da cidade de Xining e da Polícia do município de Huangzhong invadiram a sua casa e a prenderam. Ela ainda está na prisão.

 

Uma terrível escolha: fé ou reputação



No campo de trabalhos forçados de Longshan, por ter se recusado a difamar o Falun Gong, a Sra. Gao Rongrong foi espancada e torturada com choques elétricos. Os guardas do campo alegaram que a pele queimada eram escoriações resultantes de um suposta queda da janela de um escritório no segundo andar.

A Sra. Gao Rongrong
A Sra. Gao Rongrong era uma funcionária de 36 anos de idade do escritório de finanças do Instituto de Artes Luxun da cidade de Shenyang, província de Liaoning. Ela foi alvo de perseguição logo no início da perseguição nacional ao Falun Gong em 1999, e então o seu empregador a despediu sumariamente.

Em julho de 2003, a Sra. Gao foi detida e enviada para o Campo de Trabalho de Longshan. Em 22 de março de 2004, quando a Sra. Gao recusou-se a difamar o Falun Gong, o chefe assistente da segunda brigada no campo de trabalho, Yubao Tang, a arrastou para o chão desde o nível superior do seu beliche. Ele então a agarrou pelo pescoço e a arrastou para fora para espancá-la. Então, alguns guardas levaram a Sra. Gao para o escritório da gerência e a algemaram a um cano de aquecimento. Eles desferiram socos e chutes e continuamente aplicaram choques com bastões elétricos na sua cabeça, rosto, pescoço, mãos e pés. Esta tortura durou mais de meia hora. O diretor do campo de trabalho, Li Fengshi, disse a Sra. Gao, "Este é um lugar despótico; caso contrário, por usar algemas e cassetetes elétricos aqui? Eu duvido que não possamos lidar com você, Gao Rongrong."

Outra vez, quando a Sra. Gao proclamou: "Falun Dafa é bom", Tang Yubao deu-lhe uma tapa tão forte no rosto que ela perdeu a audição em um dos ouvidos. Os guardas do campo a obrigavam a trabalhar 12 horas por dia em trabalho pesado. Os abusos e torturas afetaram a sua saúde. Ela sofria de dores no fígado, dores de estômago e febre intermitente. Ela se sentia enjoada e vomitava o dia todo. Não conseguia comer, e ficava cada vez mais magra. O chefe da primeira brigada, Yue Jun, ordenou aos outros prisioneiros que humilhassem a Sra. Gao raspando-lhe os cabelos do topo da cabeça.

Quando a Sra. Gao proclamou: "Falun Dafa é bom", Tang Yubao deu-lhe uma tapa no rosto. Como resultado, ela perdeu a audição em um dos ouvidos.
Em 7 de maio de 2004, Tang Yubao e Jiang Zhaohua, chefe do grupo, levaram a Sra. Gao para um escritório e a algemaram à tubulação de aquecimento novamente. Tang e Jiang aplicaram choques com bastões elétricos na Sra. Gao continuamente por seis a sete horas. A face da Sra. Gao ficou inchada, empolada, carbonizada, e deformada ao ponto de se tornar irreconhecível. Os cabelos estavam grudados ao pus sangrento em sua pele queimada. O enorme inchaço reduziu os seus olhos a meras fendas e distorceu a sua boca. Mesmo os outros detentos não podiam reconhecê-la.

Nesse mesmo dia, a Sra. Gao teria alegadamente caído da janela do escritório no segundo andar. Após ter sido enviada ao hospital, ela foi diagnosticada com duas fraturas na pelve, fratura grave na perna esquerda, e um osso quebrado no calcanhar direito. Devido à sua débil condição física, o hospital não podia nem mesmo submetê-la a cirurgia.

Para encobrir a tortura, as autoridades do campo de trabalho de Longshan e do escritório judiciário da cidade de Shenyang mentiram, dizendo que as feridas causadas pelos choques elétricos no rosto da Sra. Gao eram apenas escoriações resultantes da sua queda a partir da janela do escritório.

O que é Falun Gong?
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Por que o governo chinês persegue o Falun Gong?
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Saiba mais sobre a violação dos direitos humanos contra praticantes do Falun Gong.
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Saiba mais sobre a atual situação do Falun Gong quanto aos direitos humanos.

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