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Edição 4: Situação atual da perseguição na China  
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Grupo de Trabalho dos Direitos Humanos do Falun Gong
 
Boletim Informativo de Março de 2004


(Se encontrar dificuldade em ver este boletim, por favor acesse Grupo de Trabalho dos Direitos Humanos do Falun Gong)


 

Deng Shiying é torturada até à morte por expor a perseguição ao Falun Gong
A Sra. Deng Shiying

A Sra. Deng Shiying, de 42 anos, residente do distrito de Longtan, na cidade de Jilin, província de Jilin. Em fevereiro de 2000, porque compartilhava experiências com outros praticantes do Falun Gong, ela foi presa e enviada para o Campo de Trabalhos Forçados Feminino de Heizuizi por um ano. Durante sua detenção, ela realizou greve de fome em protesto. Como resultado, ela foi torturada e alimentada à força, o que causou severa hemorragia no seu estômago, causando-lhe dificuldades para comer e vomitando frequentemente.

Depois de ter sido solta, a Sra. Deng foi novamente detida em 15 de setembro de 2002, porque distribuía materiais relacionados ao Falun Gong. Ela foi sentenciada a 7 anos de prisão e enviada para a Prisão Feminina da província de Jilin no início de março de 2003. Durante a sua detenção na prisão, porque ela se recusava a renunciar ao Falun Gong, guardas ordenaram que outras 8 prisioneiras a espancassem diariamente. A despeito dela estar muito fraca e com dificuldades para comer, guardas a alimentaram à força; e como resultado, ele enfraqueceu gradualmente até ficar impossibilitada de comer. Ela passou a depender de nutrição intravenosa para manter sua vida. A Sra. Deng não conseguia manter a consciência senão com extrema dificuldade, sofria com vomitações frequentes e dores extremas pelo corpo todo. Durante a sua detenção, a família não tinha permissão para visitá-la.

Na manhã de 18 de julho de 2003, a família da Sra Den foi instruída a buscá-la na prisão. Naquele momento, a Sra. Deng já estava inconsciente e próxima da morte, e pesava cerca de 25 a 30 quilos. A família a enviou ao hospital para tratamento de emergência. O doutor disse a família que os seus órgãos vitais sofriam de injúrias severas e estavam falhando, a vesícula biliar havia sido destruída, o nervo craniano apresentava fibrose, e o cerebelo havia definhado e estava calcificado. O hospital não pôde salvá-la. A Sra. Deng faleceu na tarde de 19 de julho de 2003.

 

Casal torturado: mulher fica paralítica e ambos são condenados a prisão por distribuir materiais sobre o Falun Gong

O Sr. Song Jianmin, funcionário público do município de Zhengding, província de Hebei, e sua esposa, a Sra. Zheng Lanrui, de 39 anos, secretária da Comissão de Esportes do Município de Zhengding, residentes de Zhengding, província de Hebei.

Em junho de 2001, a polícia do município de Zhengding prendeu o Sr. Song e a Sra. Zheng, porque eles praticavam o Falun Gong e distribuíam informações sobre a perseguição aos praticantes do Falun Gong. A polícia invadiu a casa do casal e confiscou dinheiro e bens pessoais avaliados em mais de 30 mil Yuan (o salário médio mensal, na China, é de aproximadamente 500 Yuan).

Durante o interrogatório, o Chefe Adjunto de Política e Divisão de Segurança, Cai Shengli, algemou as mãos do Mr. Song por trás das costas, apertando as algemas até cortar os punhos. Por causa da dor, o Sr. Song perdeu a consciência duas vezes. Cai, então, chutou as canelas do Sr. Song com suas botas de couro e quebrou a sua perna. Além disso, ele ordenou o policial chamado Zhang Dongpin a bater no Sr. Song com um taco de madeira. Devido ao espancamento, as costas, pernas e nádegas do Sr. Song ficaram cobertas de sangue, inchadas e com hematomas preto-azulados. À noite, as suas mãos foram algemadas por trás das costas, e amarradas a uma coluna da cama a uma altura em que ele não conseguia ficar de pé ou de cócoras. Ele foi forçado a permanecer nesta posição até as oito horas do dia seguinte. A tortura durou três dias. Mais tarde, o Sr. Song foi condenado a dez anos de prisão e enviado para o Centro de Detenção da cidade de Zhengding.

Ao mesmo tempo, a polícia espancou a Sra. Zheng até deixá-la à beira da morte e, porteriormente, mandou-a para o Centro de Detenção de Zhengding, onde a polícia continuou a torturá-la. Após seis meses de tortura, eles a mandaram para o hospital do município para receber tratamento de emergência. A Sra. Zheng ficou paralítica e incapaz de cuidar de si mesma. Os empregadores do casal interromperam o pagamento dos seus salários, deixando os seus filhos sem nenhuma fonte de renda para garantir a vida diária.

 

Chen Yinghua é torturada por distribuir materiais sobre o Falun Gong,
alimentado à força e deixado em estado crítico

A Sra. Chen Yinghua é uma residente na província de Zhejiang. Em 8 de agosto de 2003, a polícia da cidade de Jiaxing a prendeu por distribuir materiais com informações sobre a perseguição ao Falun Gong. Em 13 de setembro de 2003, ela foi levada para um centro local de detenção, onde iniciou uma greve de fome, em protesto contra sua prisão arbitrária. Os guardas ordenaram que detentos criminosos a segurassem e a forçassem a ingerir alimentos através de um tubo inserido pelo nariz até o estômago. Eles a algemaram, prenderam os seus pés e a amarraram firmemente a uma cama. Além disso, não lhe permitiam ir ao banheiro. Após vários dias de tortura, ela ficou incapaz de andar.

Em 26 de setembro, ela foi enviada ao Hospital Prisional da província de Zhejiang para receber nova alimentação forçada. Usando uma camisa-de-força e amarrada a uma cama com um cinto, ela foi mantida com um tubo através da passagem nasal e esôfago. Se ela tentasse retirar o tubo, os presos que a estavam vigiando apertavam ainda mais a camisa-de-força. Depois de uma alimentação forçada, administrada por um detento, ela sofreu convulsões e vomitou sangue. As autoridades ignoraram o acontecido e continuaram a administrar a alimentação forçada. Depois que ela começou a vomitar sangue vermelho escuro com um forte odor, as autoridades perceberam que o seu estômago estava hemorrágico, porque o tubo de alimentação havia aderido às paredes. A pressão arterial havia caído muito e ela estava em estado crítico. As autoridades passaram, então, a alimentá-la por via intravenosa. Quando a Sra. Chen foi finalmente retirada da cama, ela estava fraca demais para andar, seu rosto estava muito pálido e suas mãos e pés estavam gelados. Seus braços estavam inchados e preto -azulados por causa das contusões. Os vasos sanguíneos das pernas estavam colapsados, e o sangue não podia circular adequadamente. Nestas condições, eles continuaram a torturá-la, inserindo agulhas em seus hematomas.

Em 13 de outubro de 2003, as autoridades permitiram que a Sra. Chen fosse socorrida, uma vez que o seu irmão, no Canadá, havia exposto a sua tortura ao público. Atualmente, ela está a espera de julgamento na China.

 

Mulher grávida de seis meses é espancada por praticar o Falun Gong
Feridas em uma praticante grávida

Eu tenho praticado Falun Gong por quatro anos. Desde então, eu me tornei muito tranquila, e minha saúde melhorou. Depois que o governo começou a perseguir o Falun Gong, eu passei a ser vigiada, como muitos outros praticantes. Um dia, quando eu e vários outros praticantes fomos assistir a uma conferência de troca de experiências, nós fomos denunciados, e a polícia cercou o local da reunião. Naquela época, eu estava grávida de seis meses. Os policiais não nos permitiam utilizar o banheiro. Quando eu pedi para ir ao banheiro, um policial bateu no meu abdômen com um cassetete de madeira. Em seguida, a polícia obrigou-nos a entrar em um veículo policial. Porque eu me recusei a cooperar, eles me derrubaram no chão, me bateram com os cassetetes, me arrastaram pelos cabelos, e socaram o meu rosto. Meu rosto e minha boca ficaram cobertos de sangue e hematomas, meus dentes ficaram soltos, e minhas roupas manchadas de sangue.

Na delegacia, eu fui obrigada a ficar de pé por várias horas. Mais tarde, eu fui trancada em uma cela pequena. Finalmente, porque eles tiveram medo de serem responsabilizados por espancar uma mulher grávida, os policiais me liberaram depois de extorquirem 3.000 Yuan ( o rendimento médio mensal de um trabalhador chinês é de cerca de 500 Yuan ) do meu marido.

 

Abuso sexual amplamente utilizado para torturar praticantes do sexo feminino no Campo de Trabalhos Forçados de Dalian, província de Liaoning

O Campo de Trabalhos Forçados de Dalian localiza-se no número 175 da Avenida Nanlin, na cidade de Dalian, província de Liaoning. Desde que o governo chinês começou a perseguir o Falun Gong em julho de 1999, milhares de homens e mulheres praticantes do Falun Gong foram detidos neste campo de trabalho. As autoridades do campo se utilizam de todos os meios imagináveis para torturar praticantes e forçá-los a renunciar às suas crenças no Falun Gong.

Na ala feminina do campo de trabalho, o abuso sexual é uma forma comum de tortura, utilizada pelos guardas para esse fim. Os guardas frequentemente tiram as roupas das praticantes detidas e utilizam vários métodos para torturá-las, incluindo bater em seus seios e inserir objetos, pasta de pimenta e trapos sujos em suas vaginas. Como resultado dessas torturas, muitas praticantes ficaram debilitadas e apresentam dificuldades para andar. Quatro praticantes foram recentemente torturadas até a morte neste campo de trabalho.

As histórias a seguir relatam os abusos sofridos por onze mulheres, da província de Liaoning, que foram detidas no Campo de Trabalho de Dalian simplesmente por praticarem o Falun Gong:

A Sra. Jin Guirong, de 58 anos, residente no distrito de Jinshitan, cidade de Dalian, foi detida por mais de um ano no Campo de Trabalho de Dalian. No final de dezembro de 2002, após ter estado detida por mais de 10 dias, ela foi levada para o centro de “lavagem cerebral” do campo de trabalho, por continuar a afirmar a sua crença na prática. Lá, os guardas instigaram outras detentas a privá-la do sono, insultá-la e agredi-la. Uma vez que ela resistia a denunciar o Falun Gong, os guardas a trancaram em uma gaiola de ferro com um metro quadrado, na qual ela não podia ficar de pé nem deitada. Mesmo depois de ter sido libertada da gaiola, ela ainda tem dificuldade para andar.

A Sra. Xu Jinhuan, de 54 anos. Certa vez, os guardas forçaram outras detentas a espancá-la porque ela cantava músicas que mencionavam o Falun Gong. Em seguida, vários guardas do campo amarraram as suas mãos junto aos pés e a penduram no ar enquanto batiam em suas coxas com tábuas de madeira. Os golpes deixaram as suas coxas cobertas por hematomas de coloração preto-azulada.

Quando a Sra. Wang Lijun, de 33 anos, se recusou a renunciar ao Falun Gong, os guardas do campo a trancaram na gaiola de ferro com um metro quadrado por mais de um mês. Durante esse tempo, ela não podia ficar de pé ou deitar-se, sendo forçada a manter-se sentada ou agachada. Como resultado, ela tinha dificuldade para caminhar, mesmo após libertada da gaiola. Mais tarde, os guardas do campo introduziram escovas utilizadas para limpeza de sapatos em sua vagina, causando sangramento. Eles também quebraram as suas duas pernas. Hoje, a Sra. Wang está deficiente por causa destas torturas.

Quando a Sra. Wang Xiumei recusou-se a recitar as regras do campo de trabalho, como forma de protesto contra a sua detenção ilegal, os guardas a espancaram violentamente, quebrando duas de suas costelas e arrancando um de seus dentes.

Ao chegar ao Campo de Trabalho de Dalian, vários guardas espancaram a Sra. Bi Daihong, causando-lhe contusões no nariz e nos olhos, inchação nos pés e hematomas preto-azulados nas pernas. Como resultado desse abuso, ela agora manqueja ao andar.

A Sra. Chang Xuexia, de 34 anos, foi presa na gaiola de ferro e espancada por outras detentas por afirmar a sua crença no Falun Gong. Por ordem dos guardas do campo, as detentas a despiram e a torturaram, introduzindo escovas utilizadas para a limpeza de sapatos em sua vagina. As detentas continuaram a torturá-la desta forma até que sua vagina começou a sangrar e ela perdeu a consciência por causa da dor extrema.

Quando a Sra. Man Chunrong se recusou a renunciar à sua crença no Falun Gong, os guardas do campo de trabalho injetaram pasta de pimenta em sua vagina.

A Sra. Cheng Hui, de 27 anos, residente no distrito de Jinzhou, cidade de Dalian. Os guardas do campo a trancaram em uma jaula de ferro e a penduraram pelas barras da janela, com as mãos algemadas atrás das costas, e só com os dedos dos pés tocando o chão. Os guardas também forçaram outras detentas a inserir pasta de pimenta em sua vagina, para depois retirem e colocarem em sua boca. Como resultado da tortura que sofreu no campo de trabalho, a Sra. Cheng agora tem dificuldade para andar.

A Sra. Qu Sumei, residente no distrito de Shahekou, cidade de Dalian. Por se recusar a renunciar à prática do Falun Gong, ela foi trancada em uma jaula de ferro. Em outra ocasião, ela foi pendurada com as mãos e os pés amarrados, enquanto as presas inseriram trapos sujos, pasta de pimenta, e outros objetos em sua vagina. Como resultado dessa tortura, ela ficou incapacitada de andar e permaneceu encamada por três meses.

A Sra. Han Shuhua, da cidade de Dalian, ficou incapacitada de andar depois que as suas duas pernas foram quebradas durante espancamentos executados por guardas do campo enquanto ela esteve presa em uma gaiola de ferro.

Porque a Sra. Sun Yan, da cidade de Dalian, disse que “o Falun Gong é bom”, ela foi presa em uma gaiola de ferro e torturada durante mais de dez dias. Como resultado dessa tortura, ela agora é incapaz de andar sem ajuda.

 

Por causa da sua crença, Qing Mingzhen é perseguida e sua família é assediada

A Sra. Qing Mingzhen, residente na cidade de Chengdu, província de Sichuan, foi detida duas vezes pela polícia da delegacia de Xiaotianzhu. Ela foi condenada a trabalhos forçados por ter ido a Pequim em 29 novembro de 1999 apelar ao governo pelo fim da perseguição ao Falun Gong. Em março de 2000, a Sra. Qing foi a Pequim novamente apelar pelo fim da perseguição, juntamente com sua filha de nove anos de idade. Ela foi detida por mais de 30 dias e também demitida do seu emprego. Em dezembro de 2000, a Sra. Qing foi condenada a um ano e meio de prisão no campo de trabalhos forçados, por haver distribuído panfletos contendo informações sobre a perseguição ao Falun Gong.

A Sra. Qing não foi liberada até junho de 2002. No início de julho daquele ano, ela passou algum tempo na casa de parentes, na cidade de Hongyuan, província de Sichuan. Oficiais do governo local telefonavam constantemente para assediá-la, e ainda mandavam pessoas para segui-la e vigiá-la, causando enorme estresse para a sua família. Isto continuou até o seu regresso a Chengdu. Poucos dias depois, quando a Sra. Qing visitou a sua filha na casa da sua sogra, policiais a ameaçaram telefonando cerca de uma hora da manhã. Seus pais, de quase 70 anos de idade, e outros membros da família estavam aterrorizados. As perturbações provocaram uma recaída dos problemas de pressão do seu sogro. Poucos dias depois, menos de dez minutos após a Sra. Qing ter chegado em casa, três policiais foram à sua casa e tentara raptá-la. Na manhã seguinte, enganado pela polícia, o irmão da Sra. Qing a mandou para uma classe de lavagem cerebral. Um policial estapeou o seu rosto 18 vezes na frente de sua família, causando-lhe tonturas e sangramento abundante do nariz. Então, a polícia a algemou a uma árvore com as mãos presas atrás das costas. Mais tarde, a Sra. Qing conseguiu escapar, mas tornou-se desamparada e desabrigada para evitar novas perseguições.

 

Wang Zhiguo, deficiênte físico,
recebe choques com bastões elétricos

O Sr. Wang Zhiguo residente no distrito de Jianping, província de Liaoning. Em 26 de janeiro de 2002, policiais da Delegacia de Polícia de Hebei, distrito de Jianping, detiveram o Sr. Wang e o prenderam em um centro de detenção do distrito de Jianpin porque ele praticava o Falun Gong.

No centro de detenção, ele foi privado de sono duas vezes, num total de oito dias e noites sem dormir. Como o Sr. Wang não podia andar ou ficar de pé, a polícia o colocou no chão, sobre uma poça d'água, onde administrou choques com bastões elétricos durante seis horas. A forte corrente elétrica fez o Sr. Wang se contorcer em espasmos, e todo o seu corpo ficou coberto de suor. Após a tortura, suas mãos ficaram muito inchadas por vários meses, e ele ficou muito fraco e magro.

Após alguns meses de detenção, o Sr. Wang foi sentenciado a três anos de trabalhos forçados. No entanto, nenhum campo de trabalho aceitaria uma pessoa deficiente como ele. Por isso, a polícia resolveu extorquir 7.000 Yuan da sua família e libertá- lo (500 Yuan é a renda média mensal de um trabalhador urbano na China) Contudo, uma vez que a sua família não podia pagar o dinheiro, ele foi condenado a sete anos de prisão. Wang ficou preso na Prisão No. 4 em Dabei, na cidade de Shenyang, província de Liaoning. A perseguição ao Sr. Wang teve grande impacto em sua família. Ele tem pais idosos, uma esposa mentalmente instável, e os dois filhos em idade escolar, todos dependentes dos seus rendimentos para sobreviver. Sem a sua renda, eles tornaram-se indigentes.

 

Wei Xingyan foi estuprada publicamente pela polícia na cidade de Chongqing

A Sra. Wei Xingyan, 28 anos, é uma estudante do terceiro ano de especialização em transmissão de energia de alta tensão na Universidade de Chongqing. Em 11 de maio de 2003, ela foi detida e interrogada pela “Agência 610” do distrito de Shapingba, na cidade de Chongqing porque a polícia suspeitava que ela tivesse colocado balões e banners com as palavras “Falun Gong” em torno do campus.

Na noite de 13 de maio, um policial a levou para uma sala no Centro de Detenção de Baihelin, no distrito de Shapingba, e ordenou a duas detentas que a deixassem nua. Então, o policial a imobilizou no chão e a estuprou na frente das duas detentas.

Para protestar contra o abuso no centro de detenção, a Sra. Wei entrou em greve de fome e passou a ser alimentada a força pelos guardas. Durante a alimentação forçada, eles feriram propositalmente sua traquéia e esôfago com tubo de alimentação, tornando-a incapaz de falar. Em 22 de maio, ela esteve à beira da morte e foi enviada para o Hospital Sudeste, na cidade de Chongqing. Vários policiais à paisana da “Agência 610” a monitoravam permanentemente para impedir que ela contasse a verdade sobre como havia sido torturada e violentada.

Devido ao extremamente rigoroso bloqueio de informações, pouco se sabe a respeito da situação atual da Sra. Wei. Desde junho de 2003, por medo de que o caso a Sra. Wei fosse exposto, a “Agência 610” prendeu mais de 50 praticantes do Falun Gong na cidade de Chongqing.

 

Yang Jingfang é condenada por apelar ao governo

A Sra. Yang Jingfang, nascida em 30 de setembro de 1949, era técnica sênior e prestava serviços para as empresas Jianghuai Instrument e Plant Meter na cidade de Hefei. Ela morava no quarto 507, do número 25 da rua Shuihu, em Hefei, província de Anhui. Em maio de 2000, a Sra. Yang foi a Pequim apelar pelo fim da perseguição ao Falun Gong. Por causa disso, o Tribunal Oeste do Distrito de Hefei a condenou a um ano de prisão. Após a sua libertação em 2001, ela foi privada dos direitos de trabalhar e prover o próprio bem-estar.

Em 30 de outubro de 2002, mesmo estando longe de Hefei, em viagem de negócios, a Sra. Yang recebeu um telefonema de seu local de trabalho pedindo-lhe que retornasse imediatamente. A polícia a raptou imediatamente após o seu retorno.

Entre 30 de outubro e 1º. de dezembro de 2002, a Sra. Yang permaneceu detida no edifício dos correios, onde a polícia a manteve algemada a uma cadeira por 32 dias e noites, continuamente. Ela foi autorizada somente a sentar-se, mas não podia dormir, nem tinha permissão para se lavar, tomar banho ou trocar de roupas. Devido ao longo tempo sentada, amarrada à cadeira, os seus punhos ficaram dilacerados, os pés inchados, e os quadris doridos. Por duas vezes, ela entrou em prolongado estado de inconsciência devido às intensas dores na pelve, costas, coluna e pescoço. Desde novembro até a chegada do inverno, o quarto era mantido aquecido e o ar ficava muito seco. A polícia não lhe permitiria tomar água suficiente, fazendo com que seus lábios ficassem rachados e a garganta muito dolorida.

Em 5 de junho de 2003, o Tribunal Distrital de Shushan, em Hefei, condenou a Sra. Yang a três anos e meio anos de prisão, a despeito da ausência da principal “testemunha”, a Sra. Wen Yan, e usando “provas” obtidas sob tortura, e que a Sra.Yang não havia reconhecido. A Sra. Yang está em processo de interposição de recurso e encontra-se atualmente presa no Centro de Detenção de Hefei.

 

Forçado a ingerir água fervente:
o fazendeiro Zhang Xuewen é torturado até a morte
O Sr. Zhang Xuewen

O Sr. Zhang Xuewen, de 54 anos, era um agricultor que vivia na cidade de Fangtai, município de Hulan, província de Heilongjiang. Ele começou a praticar o Falun Gong em 1994. Desde julho de 1999, quando o governo chinês proibiu a prática do Falun Gong, ele foi detido e preso várias vezes por ter continuado a praticar. Em abril de 2003, a polícia local prendeu o Sr. Zhang e o mandou para o Centro de Detenção do município de Hulan porque ele estava distribuindo panfletos expondo a perseguição ao Falun Gong. No centro de detenção, ele se manteve em greve de fome por mais de 90 dias para protestar contra a perseguição. Neste período, ele foi torturado e alimentado à força. Como resultado, o Sr. Zhang emagreceu severamente e sua condição se tornou muito grave. Seu corpo parecia ter somente pele e ossos. O seu rosto ficou pálido, os olhos quase fechados, e ele já não podia ficar em pé.

Em 20 de junho de 2003, os guardas do centro de detenção alegaram que o Sr. Zhang tinha apendicite, e o enviaram para a clínica do centro de detenção para submetê-lo a uma cirurgia. Os resultados da cirurgia, no entanto, mostraram que o Sr. Zhang não tinha apendicite. Mais tarde, a fim de torturá-lo, o médico e os guardas do centro de detenção o forçaram a ingerir água fervente. Os danos internos que sofreu provocaram o aparecimento de sangue em suas fezes. A fim de esconder a tortura, as autoridades do centro de detenção não permitiam que a sua família viesse visitá-lo, nem permitiam que o Sr. Zhang procurasse cuidados médicos. Diariamente, ele era mantido sobre uma maca de madeira, sem receber atendimento.

No final de julho, sem qualquer processo legal, os poderes legislativo e judiciário do município de Hulan condenaram o Sr. Zhang a cinco anos de prisão.

No final de julho, sem qualquer processo legal, os poderes legislativo e judiciário do município de Hulan condenaram o Sr. Zhang a cinco anos de prisão. Ele já estava à beira da morte quando foi transferido para a Penitenciária Hulan, na cidade de Harbin, em 7 de agosto de 2003. O Sr. Zhang morreu sob tortura na manhã do dia 8 de agosto de 2003. Quando a sua família recebeu a notícia da sua grave condição e foi à penitenciária, ele já estava morto. O seu corpo era só pele e osso, e ele havia perdido todos os dentes devido à tortura e à alimentação forçada. Em 9 de agosto, o corpo do Sr. Zhang foi cremado sob a vigilância de mais de dez policiais armados.

 

Zhao Chunying é torturada até a morte e tem seus órgãos retirados
A Sra. Zhao Chunying

A Sra. Zhao Chunying, de 56 anos, era praticante do Falun Gong da cidade de Jixi, província de Heilongjiang. Ela foi detida e presa na Divisão do Distrito de Hengshan, do Departamento de Polícia de Jixi em 1999, após o início da repressão ao Falun Gong, e enviada ao Campo Wanjia de Trabalhos Forçados. Após a sua libertação, ela escreveu sobre a sua experiência no campo de trabalho e postou na Internet. Quando a polícia da Divisão do Distrito de Hengshan descobriu isso, eles a prenderam novamente em 15 de abril de 2003, e a mandaram para Centro de Detenção No. 2 na cidade de Jixi. Em 10 de maio de 2003, sua família foi notificada de sua morte.

O corpo da Sra. Zhao foi mantido na Casa Funerária de Jixi. Os membros da sua família ficaram extremamente chocados ao ver o estado do seu corpo machucado. Seus olhos estavam ligeiramente abertos, o rosto tinha uma cor azul-púrpura, e havia uma grande fissura na parte de trás da cabeça dela. Havia manchas de sangue por todo o corpo, e as costelas estavam fraturadas. Os ossos e as articulações dos braços eram claramente visíveis. Sua família decidiu tirar fotos e interpor recurso em relação à sua morte. Os guardas tentaram impedi-los, dizendo que não era permitido tirar fotos no local. A família da Sra. Zhao insistiu e finalmente conseguiu tirar várias fotos. Em seguida, um médico legista examinou o corpo, mas mentiu sobre a provável causa da morte, devido à pressão da polícia, dizendo que o corpo poderia ter sido ferido por socos auto-infligidos, ou porque ela estivesse doente, ou que, talvez, outros prisioneiros a tivessem espancado até a morte. Sua família lhe perguntou: “Por que você se recusa a dizer que é possível que ela tenha sido espancada até a morte pela polícia?” O médico ficou em silêncio.

Tendo em vista a condição miserável do corpo da Sra. Zhao, a sua família pediu uma autópsia. Graças à insistência dos seus esforços, o pedido foi finalmente deferido. A Procuradoria da província de Jixi realizou a primeira de duas autópsias nos restos mortais da Sra. Zhao. Eles encontraram uma grande ferida à faca na cabeça, além de quatro costelas quebradas e diversos hematomas, os quais eles concluíram terem sido causados por um severo espancamento. De acordo com as conclusões da Procuradoria, o espancamento também causou considerável hemorragia interna. Em 15 de novembro, de 2003, o Comitê de Avaliação da Magistratura de Heilongjiang realizou uma segunda autópsia. Eles encontraram não apenas costelas quebradas, mas também uma fratura no crânio. Além disso, eles descobriram que o seu coração, baço, pâncreas e outros órgãos internos estavam faltando e não podiam ser examinados.

Os familiares da Sra. Zhao tentaram processar as pessoas responsáveis por sua morte. Durante os últimos meses, a família da Sra. Zhao recorreu ao tribunal local e às delegacias de polícia por justiça pela sua morte, mas até agora não obtiveram nenhum resultado. O assassinato da Sra. Zhao e o posterior silêncio do médico são duas peças de um grande e complexo sistema de encobrimento da perseguição ao Falun Gong na China.

A seguir estão algumas fotos tiradas durante a autópsia da Sra. Zhao Chunying
A Sra. Zhao Chunying


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