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Edição 5: Perseguição aos Familiares  
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Boletim Informativo dos Direitos Humanos do Falun Gong
 
Junho de 2004

(Se você tiver qualquer dificuldade para ler este boletim, por favor, visite: Grupo de Trabalho dos Direitos Humanos do Falun Gong)


Caro Leitor:

Esta edição do nosso boletim informativo terá como foco a perseguição severa do Governo Chinês aos praticantes do Falun Gong e seus familiares.

O genocídio praticado pelo Governo Chinês contra os praticantes do Falun Gong vem se estendendo há quase cinco anos. Ao longo desses anos, o número de vítimas ultrapassa centenas de milhares de praticantes do Falun Gong assassinados, presos e torturados, incluindo seus familiares, amigos e colegas de trabalho.

As autoridades chinesas frequentemente expulsam das escolas as crianças de praticantes do Falun Gong, negam aos membros das famílias o direito de visitar seus entes queridos nas prisões, extorquem dinheiro das famílias, pressionam os cônjuges de praticantes a se divorciarem, e prendem membros das famílias até que entreguem os praticantes que as autoridades não conseguem capturar. Inúmeros cônjuges foram presos arbitrariamente e sentenciados ilegalmente a permanecerem em campos de trabalhos forçados, abandonando seus filhos à própria sorte. Em muitos casos, pais idosos de praticantes entram em depressão ou morrem de tristeza após verem os corpos mutilados e torturados de seus filhos ou filhas, que um dia foram perfeitamente saudáveis. Desde julho de 1999, centenas de milhares de famílias, antes felizes, foram separadas, devastadas, e dizimadas na China.

Os casos deste informativo, muitos dos quais foram submetidos às Nações Unidas, destacam esta perseguição a famílias inteiras, muito embora eles sejam apenas uma pequena fração dos relatórios que recebemos.

Aqueles que nos enviam estas informações de dentro da China fazem-no sob um grande risco pessoal. Pedimos apenas que você reveja estas informações, transmita a seus colegas a urgência desta situação, e ajude-nos a acabar com este ataque violento e sem sentido.

Obrigado pela sua gentil atenção.

Grupo de Trabalho dos Direitos Humanos do Falun Gong

Conteúdo:


 

Polícia mantém a Sra. Wang Shuimei como refém por onze meses
na tentativa de prender seu marido

A Sra. Wang Shuimei, habitante da cidade de Qinhuangdao, província de Hebei.

Desde que o Governo Chinês iniciou a perseguição ao Falun Gong em 1999, o marido da Sra. Wang, o Sr. Dong Junming, foi detido arbitrariamente diversas vezes por praticar o Falun Gong. No verão de 2002, o Sr. Dong não teve outra opção a não ser deixar a sua casa, a fim de evitar mais perseguições. Na tentativa de prender o Sr. Dong, em 30 de setembro de 2002, a Agência 610 da cidade e o chefe da Primeira Divisão da Delegacia de Polícia, o Sr. Wang Xianzeng, invadiram a casa da Sra. Wang. Ela estava com a filha de três anos no colo quando o Sr. Wang Xianzeng arrancou a criança assustada de seus braços. Enquanto a criança assistia a tudo, a polícia agarrou a Sra. Wang pelos cabelos, agrediram-na verbalmente, e algemaram-na pelas costas. Eles a arrastaram pela sala e encheram sua boca com uma toalha para mantê-la em silêncio. Ela cuspiu a toalha. Então o Sr. Wang Xianzeng encheu sua boca novamente com a toalha utilizando uma concha de sopa de aço inoxidável. Eles arrancaram muito de seus cabelos, e sangue pingava em suas roupas. A Sra. Wang foi então enviada ao centro de lavagem cerebral Changli na cidade de Qinhuangdao, onde ela foi mantida como refém, porque a polícia não conseguia encontrar seu marido. Ela só foi libertada em 29 de agosto de 2003, onze meses depois.

Durante sua prisão, ela fez greve de fome para protestar contra a detenção, e, como resultado, alimentaram-na à força. Devido à forma brutal pela qual os tubos de alimentação foram inseridos pelo seu nariz, ela sangrou abundantemente.

Durante a prisão de sua mãe, a filha de três anos da Sra. Wang teve de viver com seus avôs. Desde o dia em que presenciou a prisão violenta de sua mãe, ela tem sofrido severos traumas emocionais. Muitas vezes, ela acorda aos berros devido aos pesadelos.

Em junho de 2003, o marido da Sr. Wang foi encontrado e detido novamente, e enviado ao Campo de Trabalhos Forçados na cidade de Tangshan, província de Hebei.

 

Jovem Saudável é Torturada até Sofrer Colapso Mental
Devido a Sua Crença no Falun Gong


Antes da perseguição

Após ser libertada do Centro de Lavagem Cerebral

A Sra. Zhu Xia, de 32 anos, residente na cidade de Chengdu, província de Sichuan. Endereço: Apartamento 1, Unidade 3, Edifício 4, Rua Jinrong, Distrito de Guangrong, Chengdu, Província de Sichuan. Telefone: (+86) (28) 764-3584.

Desde julho de 1999, a Sra. Zhu foi detida arbitrariamente repetidas vezes por praticar Falun Gong, inclusive durante sua gravidez e quando estava amamentando. Em janeiro de 2001, quanto a Sr. Zhu foi à Praça da Paz Celestial (Tiananmen) apelar ao governo pelo fim da perseguição aos praticantes do Falun Gong, um policial a agrediu e bateu em seu bebê de oito meses de idade com um cassetete. No dia seguinte, um oficial do governo da cidade de Chengdu açoitou o bebê com um cinto de couro. No dia 15 de agosto de 2001, a polícia sentenciou a Sr. Zhu a cumprir trabalhos forçados e a enviou para o Campo Feminino de Trabalhos Forçados de Nanmusi, onde ela permaneceu por 14 meses. As autoridades do Campo a torturaram de todas as formas concebíveis. Em uma ocasião, a guarda Zhang Xiaofang instruiu os detentos a tapar a boca da Sr. Zhu com um pano sujo. Em seguida, eles a arrastaram sobre o chão coberto de rochas ásperas. Como resultado, a pele das suas costas, dos quadris e das coxas ficou dilacerada e coberta por fragmentos de rocha e sangue. Depois, Zhang e alguns detentos torturaram-na utilizando o “banco do tigre”[1] Eles puseram vários tijolos sobre suas coxas e fizeram com que um detento se sentasse e se movimentasse sobre eles, a fim de intensificar a dor. Mais tarde, Zhang e os detentos se revezaram agarrando seus cabelos e batendo sua cabeça contra a parede. Zhang disse à Sra. Zhu: “Eu vou bater na sua cabeça até você sofrer uma concussão cerebral e ficar louca”. Além da tortura física, a Sra. Zhu era frequentemente impedida de ir ao banheiro, tomar banho, ou trocar de roupas, e os outros detentos recebiam ordens para insultá-la. Durante o verão, ela era forçada a ficar exposta ao sol, e durante o inverno, ela era obrigada a permanecer na parte externa, desabrigada, usando quase nenhuma roupa. Ela era privada de dormir por longos períodos e, frequentemente, forçada a permanecer de pé, ou sentada, por longo tempo sem pestanejar.

Em 27 de outubro de 2002, o prazo da pena da Sra. Zhu terminou, mas o chefe da “Agência 610” da cidade de Chengdu, He Yuanfu, transferiu-a sucessivamente para os centros de lavagem cerebral da cidade de Pengzhou e dos distritos de Pi e Xinly, a fim de persegui-la ainda mais. Em consequência da contínua privação de sono e da tortura física e mental nos centros de lavagem cerebral, a Sra. Zhu finalmente sofreu um colapso mental, passando a apresentar alucinações e delírios frequentes. Mesmo após o colapso mental, as autoridades se recusaram a libertá-la. Como resultado, a sua condição mental piorou, tornando-se ainda mais grave. Ela frequentemente chorava ou ria a qualquer hora do dia ou da noite, batia em portas e janelas, e excretava em qualquer lugar. A Sra. Zhu foi finalmente libertada no dia 2 de abril, de 2004.

O marido da Sra Zhu, o Sr. Wang Shilin, o qual também é praticante do Falun Gong, ainda está preso no Campo de Trabalhos Forçados de Xinhua, na cidade de Mianyang.

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[1] No método de tortura chamado “banco do tigre”. A vítima fica com as mãos amarradas atrás das costas, enquanto os joelhos e coxas ficam firmemente amarrados a um banco estreito de madeira ou de ferro. Em seguida, colocam-se tijolos ou outro material rígido sob os pés da vítima e aumentam-se as camadas de tijolos ou placas inseridas debaixo dos pés. Desta forma, aumenta-se a tensão das cordas, provocando dor excruciante. A polícia muitas vezes utiliza este método para imobilizar os praticantes do Falun Gong e submetê-los à ingestão forçada de substâncias.

 

"Mamãe e papai, por favor, voltem logo para casa"

Foto da família Yang: Fang Nanjie (na frente, à esquerda), Yang Xinyu (na frente, à direita),
a Sra. Fang Jing (atrás, à esquerda), e o Sr. Yang Zhu (atrás, à direita)

O que segue é uma carta pública de duas jovens irmãs da cidade de Chengdu na China, escrita em 11 de dezembro de 2003, apelando pelo resgate dos seus pais.

“Como vai você? Meu nome é Yang Xinyu. Eu tenho 11 anos e estou na 5ª série. Minha irmãzinha se chama Fang Nanjie. Ela tem nove anos e está na 3ª série. Nós estudamos na escola do bairro Longzhoulu. Nosso endereço é: Rua Longzhounanxiang, Setor 4, Edifício 3, Unidade 2, Apartamento 1, Cidade de Chengdu, Subdivisão de Longzhoulu, Distrito de Jingjiang, Província de Sichuan, China.

Nós éramos uma família feliz, com cinco pessoas: nosso avô, meu pai e minha mãe, minha irmã, e eu. Meus pais haviam ambos sido demitidos. Para sustentar nossa família, eles comercializavam verduras e legumes nas ruas. Eles trabalhavam intensamente e enfrentavam muita dificuldade. Minha mãe estava sempre com alguma doença. Em 1995, minha mãe começou a praticar o Falun Gong, e em muito pouco tempo ela já não ficava mais doente. Então, toda nossa família começou a praticar o Falun Gong. Mesmo estando muito ocupados, meu avô, meu pai e minha mãe davam muita atenção aos nossos estudos, acompanhando de perto os trabalhos de escola da minha irmã e os meus. Eles pacientemente nos ensinavam a desenhar, pintar, escrever e como fazer caligrafia (chinesa). Eu adorava toda a nossa alegre família, e amo meu pai e minha mãe.

Desde o dia 20 de julho de 1999, entretanto, os oficiais do governo têm tentado persuadir a minha mãe a parar de praticar, assim como a outros milhares praticantes do Falun Gong. Como minha mãe não deixou de praticar, eles a colocaram na prisão por 15 dias. Após sair da prisão, minha mãe gastou todas as suas economias para comprar uma passagem aérea e ir a Pequim apelar ao governo pelo direito de praticar o Falun Gong. Meu avô e meu pai ficaram em casa, porque na época eu estava apenas começando a cursar a 1ª série. Logo após minha mãe retornar, policiais invadiram nossa casa e prenderam-na por haver participado da manifestação na Praça da Paz Celestial (Tiananmen). Minha família ficou muito triste e deprimida. Um mês depois, nós recebemos a notícia de que minha mãe seria sentenciada a um ano e meio de trabalhos forçados. Minha irmã e eu começamos a chorar ao receber esta notícia. No dia em que minha mãe foi presa, ela não quis ir com a polícia, mas quatro policiais a algemaram e a carregaram à força. Toda vez que eu me lembro desta cena, eu sempre me arrependo de não ter agarrado as mãos da minha mãe e impedido os policiais.

Mamãe nos deixou. Então, minha avó veio da vila onde morava para tomar conta da minha irmã e de mim. Minha mãe foi mantida no Campo Feminino de Trabalhos Forçados de Nanmusi, na cidade de Zizhong, província de Sichuan. As condições de vida no Campo eram horríveis. Na tentativa de forçar os praticantes a desistirem da prática do Falun Gong, os guardas do campo forçavam minha mãe e outros praticantes a se sentarem com a postura ereta, com a duas pernas firmemente pressionadas, uma contra a outra. Se qualquer praticante se movesse, mesmo que apenas um pouco, os guardas e detentos espancavam-nos, chutavam e xingavam. Eles eram impedidos de tomar banho e tinham apenas 5 minutos, pela manhã e à noite, para se lavarem e escovarem os dentes. Mas minha mãe nunca desistiu de sua crença.

Em julho de 2001, após minha mãe ser libertada, toda a minha família tomou o trem para Pequim para apelar novamente ao governo. Pouco depois de havermos chegado à Praça da Paz Celestial, um grupo de policiais veio até nós. Primeiro, eles empurraram meu pai para dentro de uma viatura da polícia. Em seguida, eles tomaram a faixa amarela que trazíamos e a arrolaram duas vezes ao redor do pescoço da minha mãe, apertando-a firmemente. Mamãe quase não podia respirar. Após alguns instantes, eles a soltaram. Minha irmã e eu presenciamos todo o comportamento selvagem dos policiais, desta vez à luz do dia e em plena Praça da Paz Celestial. Nós não conseguíamos conter nossas lágrimas. Mais tarde, deixamos Pequim com nossa mãe.

Poucos meses após o meu pai ter retornado para casa, ele e minha mãe foram novamente colocados na prisão por terem contado a outras pessoas sobre a perseguição ao Falun Gong. Nossa avó teve que vir da vila para tomar conta de nós novamente. Durante estes quatro anos, nossa família tem passado por separações como esta muitas vezes. Em pouco tempo, nós recebemos a notícia das sentenças de nossos pais. Mamãe foi condenada a cumprir três anos em um campo de trabalhos forçados, e papai foi condenado a dois anos de trabalhos forçados. A saúde de meu avô deteriorou dia após dia, devido tanto à sua idade avançada quanto ao sofrimento causado pela perseguição a nossa família. Ele faleceu em fevereiro de 2003. Se os meus pais soubessem desta notícia trágica, eles ficariam arrasados. Nós todos ficamos profundamente tristes e chocados. Enquanto vivo, nosso avô nos amou muito. Ele despendeu suas poucas economias para ajudar nossa família nos tempos difíceis. Ele ainda tinha muitas coisas que queria dizer aos meus pais antes de morrer.

Eu espero que o governo e as autoridades parem com a perseguição aos praticantes do Falun Gong e permitam que todas as crianças cresçam sob a luz morna do sol, com o amor dos seus pais, mães e familiares.

Mamãe e papai, não se preocupem conosco. Nós estamos todos bem. Por favor, tomem conta de vocês mesmos. Aos policias da prisão, por favor, tratem bem nossos pais. Às pessoas de bem, que sabem deste caso, nos ajudem para que juntos possamos resgatar nossos pais, para que eles possam vir para casa logo.

De suas filhas que vos amam:
Yang Xinyu (autora)
Fang Nanjie

Nota:
Pai: O Sr. Yang Zhu, preso no Campo de Trabalhos Forçados de Xinhua, na cidade de Mianyang, província de Sichuan.
Mãe: A Sra. Fang Jing, presa Campo Feminino de Trabalhos Forçados da Vila de Dabao, Seção 42, município de Luodaiwen'an, distrito de Longquanyi, cidade de Chengdu, província de Sichuan.

 

Três Irmãs Brutalmente Perseguidas por Praticarem o Falun Gong;
Uma Delas Está à Beira da Morte

 
A Sra. Li Huiqi ficou paralisada após ser torturada no Campo de Trabalhos Forçados de Shijiazhuang.

Três irmãs da cidade de Shijiazhuang, província de Hebei, praticam o Falun Gong. A Sra. Li Huimin é a irmã mais velha da família. A Sra. Li Huixin, ex-funcionária do departamento de passageiros da divisão de Shijiazhuang da Agência Ferroviária, é a irmã do meio. A Sra. Li Huiqi, ex-funcionária da Fábrica de Tintas de Shijiazhuang, é a mais nova. Como resultado da tortura, a irmã mais nova ficou paralisada por quase dois anos, e a irmã do meio ficou com os braços inutilizados. A família inteira tem passado por tristezas sem fim devido à perseguição ao Falun Gong. Os detalhes das suas histórias serão relatados a seguir:

No dia 8 de maio de 2003, a polícia deteve a Sra. Li Huimin e a enviou ao hotel da delegacia da polícia ferroviária de Shijiazhuang para interrogatório.

Em 2003, a Sra. Li Huixin foi obrigada a permanecer fora de casa por mais de dois anos a fim de evitar ser perseguida por praticar o Falun Gong. Autoridades da “Agência 610” local e da polícia ferroviária de Shijiazhuang estavam a sua procura. No dia 8 de maio de 2003, os policiais Huang He, Wang Liyan e outros do departamento de polícia ferroviária de Shijiazhuang a prenderam na rua. Eles cobriram sua cabeça com uma capa de plástico preto e a prenderam sigilosamente no Dormitório Leste. Eles a penduraram pelos braços e a espancaram por mais de 24 horas. Como resultado, ambos os seus braços ficaram inutilizados e ela tinha feridas por todo o corpo. Então, eles a enviaram ao Centro anti-Falun Gong de “lavagem cerebral” da província de Hebei, onde ela sofreu tortura física e psicológica.

O filho da Sra. Li Huixin, Mao Mao, cursava o ensino fundamental. Enquanto sua mãe esteve presa, policiais da Delegacia de Polícia Ferroviária frequentemente o seguiam e o ameaçavam. Eles até mesmo obrigaram os dirigentes da escola a expulsá-lo. A criança teve que ser transferida para duas escolas diferentes a fim de continuar sua educação. Mais tarde, Mao Mao foi obrigado a viver com sua tia, a Sra. Li Huijie. Então, a polícia foi à casa dela para manter Mao Mao sob vigilância.

No dia 2 de dezembro de 2001, oficiais da Delegacia de Polícia da Avenida Weiming, na cidade de Shijiazhuang, prenderam a Sra. Li Huiqi porque ela havia revelado publicamente fatos sobre a perseguição ao Falun Gong para as pessoas de sua região. Ela ficou presa por dois meses no Centro de Detenção No. 1, da cidade de Shijiazhuang. No dia 2 de fevereiro de 2002, a Sra. Li Huiqi foi sentenciada a um ano de trabalhos forçados e enviada ao Segundo Esquadrão da Quarta Brigada do Campo de Trabalhos Forçados da cidade de Shijiazhuang, onde guardas a torturaram porque ela se recusou a abandonar o Falun Gong. Ela foi torturada repetidamente até estar à beira da morte. Preocupada, sua família requisitou várias vezes o direito de visitá-la e que lhe fosse prestado tratamento médico. Contudo, as autoridades recusaram os apelos da família.

No dia 8 de abri de 2002, a Sra. Li Huiqi mal podia respirar, e, então, as autoridades do campo de trabalho a enviaram ao Hospital Popular da Província de Hebei para receber tratamento de emergência. Quando seus familiares chegaram ao hospital, eles não podiam reconhecê-la, porque ela havia emagrecido severamente. Apesar da sua condição crítica, os médicos decidiram realizar uma cirurgia no seu abdômen. Eles não encontraram nada anormal, mas a cirurgia a debilitou ainda mais. Ela passou a apresentar febre alta e entrou em coma. A fim de examiná-la mais profundamente, os médicos a submeteram a um exame extremamente doloroso durante o qual um instrumento foi inserido em sua espinha. Além disso, porque ela apresentava dificuldade para respirar, os médicos realizaram uma traqueostomia: um corte na traquéia para inserir um tudo de respiração. Após a operação, ela desenvolveu uma grave infecção nos pulmões.

No dia 30 de maio de 2002, a Sra. Li Huiqi foi transferida para o Terceiro Hospital da Província de Hebei para receber tratamento. Certa vez, o tubo de respiração acidentalmente bloqueou sua traquéia e a sufocou, fazendo com que ela entrasse em coma profundo por alguns instantes. Além disso, ela desenvolveu escaras. A maior delas tinha cerca de 12 cm² e era tão profunda que chegava aos ossos. Apesar da sua condição crítica, a polícia continuou a assediá-la. Cinco policiais uniformizados e três policias à paisana a monitoravam 24 horas por dia, e tentavam prender qualquer praticante do Falun Gong que viesse visitá-la. Devido à intensidade da perseguição e à precariedade do tratamento prestado, a Sra. Li Huiqi ficou paralisada. Ela sofreu de infecções pulmonares e urinárias e frequentemente perdia a consciência. Ela contorcia o corpo todo constantemente e respirava apenas com a ajuda dos aparelhos.

No dia 3 de dezembro de 2002, o diretor do Campo de Trabalhos Forçados de Shijiazhuang, Zhao Jinlong, ordenou ao policial Zhou Yilin que mandasse interromper os tratamentos hospitalares da Sra. Li. Ele instruiu os encarregados no hospital a não socorrerem a Sra. Li Huiqi, caso a sua condição se tornasse crítica novamente. Sob o pretexto de que o termo de detenção da Sra. Li havia expirado, o Campo de Trabalhos Forçados de Shijiazhuang suspendeu o pagamento das suas despesas médicas. Mesmo diante do fato de que a Sra. Li Huiqi ainda dependia do tubo e dos aparelhos para respirar e se alimentar, ela foi enviada para casa. A “Agência 610” local ainda mandou pessoas para vigiar a Sra. Li e os membros da sua família.

Por causa da perseguição, a família Li vive na pobreza. Apesar de estar passando por dificuldades financeiras, a Sra. Li Huimin cobre as despesas médicas da Sra. Li Huiqi. Em meio a toda esta situação, a “Agência 610” tentou em várias ocasiões fechar o pequeno comércio e única fonte de renda da família.

Após o caso da Sra. Li Huiqi ser divulgado no exterior pela Internet, a “Agência 610” local ameaçou repetidas vezes e pressionou o marido da Sra. Li Huixin, que não é praticante do Falun Gong, a se divorciar dela. Ele não foi capaz de suportar a pressão e terminou assinando os papéis do divórcio.

 

Professora do Ensino Médio é Encarcerada,
o Marido é Preso, e Seu Filho Fica Sem Ter Onde Morar

A Sra. Xing Yuzhen era uma antiga professora de 42 anos na Sexta Escola de Ensino Médio da cidade de Daqing, província de Heilongjiang. Seu marido, o Sr. Jiang Nianxiang, era um engenheiro de minas. Eles tinham um filho de 14 anos; a sogra da Sra. Xing também vivia com eles. A saúde deles beneficiou-se de muitas maneiras por causa da pratica do Falun Gong. Eles eram uma família feliz. Entretanto, após o governo central ter iniciado sua perseguição ao Falun Gong, aquela felicidade foi destruída.

Durante o período de junho a dezembro de 2000, a Sra. Xing foi até Pequim três vezes, para apelar ao governo que parasse com a perseguição ao Falun Gong. Cada uma das vezes, ela foi presa e detida. Uma vez, ela foi detida por 75 dias na cidade de Daqing, e foi submetida à força a sessões de lavagem cerebral por 18 dias. Durante sua detenção, ela iniciou uma greve de fome. Como resultado, ela foi torturada e alimentada à força.

Após sua libertação, a Sra. Xing foi forçada a ficar sem uma casa para evitar assim que a perseguissem mais. Em 11 de maio de 2001, ela foi presa novamente e mandada para o Centro de Detenção da cidade de Daqing, onde iniciou uma greve de fome de 40 dias e foi alimentada à força. Depois, ela foi sentenciada a um ano de trabalhos forçados no Centro de Reabilitação de Drogas de Harbin. Lá, ela fez greve de fome por 39 dias. A polícia a alimentou à força e disse que isto custou mais de mil Yuan. Eles ordenaram que sua família pagasse este custo. Ela foi solta no dia 11 de maio de 2002.

Já que ela continuou a praticar o Falun Gong, bem cedo, na manhã do dia 6 de setembro de 2002, policiais da Delegacia de Polícia do distrito de Rangu, prenderam-na em sua casa e a detiveram no Centro de Detenção da cidade de Daqing, onde ela fez greve de fome por mais de um mês. Todos os dias a polícia mandava os presidiários alimentarem-na a força. Então, ela foi transferida para o Centro de Detenção do Distrito de Saqu, onde continuou com a greve de fome. No dia 3 de dezembro de 2002, ela foi transferida para o Centro de Reabilitação de Drogas de Harbin e mais tarde sentenciada a três anos de trabalhos forçados. Pelo fato das autoridades terem bloqueado todas as informações a respeito dela, sua atual condição no campo de trabalhos é desconhecida.

Seu marido foi dispensado de seu trabalho por praticar o Falun Gong. Na manhã de 6 de setembro de 2002, policiais da Delegacia de Polícia do Distrito de Rangu prenderam-no em casa.

A sogra enferma da Sra. Xing morreu em outubro de 2003, por não ser capaz de agüentar o choque e a preocupação após a prisão do casal.

Em apenas três anos, seu filho não apenas perdeu a avó e seus queridos pais, mas também testemunhou seu pai e sua mãe sendo arbitrariamente detidos e torturados. Ele também foi expulso da escola e forçado a se tornar um sem-teto porque seus pais praticam o Falun Gong. Diz-se que um parente adotou a criança.

 

A Sra. Xiao Guiying Foi Violentada por Seu Marido por Sua Crença
e Torturada até a Morte em um Hospital Psiquiátrico

A Sra. Xiao Guiying residia na cidade de Yueyang, província de Hunan. Antes de começar a praticar o Falun Gong, em 1996, ela sofreu por anos de osteoporose e outras doenças. Logo após iniciar a prática do Falun Gong, todos os seus problemas de saúde desapareceram.

Ms. Xiao's husband, Yan Youhua, was the former Treasurer of Yueyang City. Because Ms. Xiao refused to accept bribes after beginning to practice Falun Gong, Yan Youhua was very hostile towards Falun Gong and wrote some articles to slander it. Pressured by her husband, Ms. Xiao reluctantly gave up practicing Falun Gong. Her illnesses soon returned, and she became paralyzed. After the persecution of Falun Gong started in July 1999, Ms. Xiao made up her mind to start practicing Falun Gong again. Soon after, she was able to walk around with ease.

Yan Youhua, que tinha várias amantes, tentou divorciar-se da Sra. Xiao, mas ela se recusou. Após o início da perseguição ao Falun Gong, a fim de evitar ser envolvido, ele intensificou os abusos dirigidos a Sra. Xiao. No início de 2002, a Sra. Xiao foi obrigada a sair de casa.

Mais tarde, Yan Youhua e seu filho, em comum acordo com a polícia, sequestraram a Sra. Xiao na cidade de Changsha, sua cidade natal. Após trazerem-na de volta para casa, eles a mantiveram amarrada a uma árvore. Mais tarde, Yan Youhua enviou-a para o Centro de Detenção Rongjiawan, da cidade de Yueyang, onde ela foi mantida por mais de seis meses. Depois disso, Yan Youhua e seu filho tentaram enviá-la para um campo de trabalhos forçados, mas ela não passou nos exames médicos do Campo. No caminho de volta do Campo, a Sra. Xiao conseguiu fugir, mas, mais tarde, foi presa novamente. Após ser libertada, Yan Youhua internou-a, contra a sua vontade, no Hospital Psiquiátrico da cidade de Yueyang, onde ela foi torturada tão intensamente que acabou falecendo em março de 2003.

 

A Impiedosa Perseguição à Família Cheng

A família da Srta. Cheng Ling mora no Centro de Goumenzi, na cidade de Lingyuan, na província de Liaoning. Todos os membros da família, exceto seu irmão mais novo, são praticantes do Falun Gong. Em 1999, quando se iniciou a perseguição ao Falun Gong, suas vidas mudaram drasticamente. Em 22 de julho de 1999, a polícia saqueou sua casa e confiscou todos os livros do Falun Gong, vídeos, fitas cassetes e outros materiais. Desde então, a família da Srta. Cheng tem sofrido repetidos ataques de extorsão, tortura, lavagem cerebral, trabalhos forçados, e desgosto por nenhum outro motivo a não ser pela recusa em renunciar à prática do Falun Gong.

A Sra. Cheng Ling, de 20 anos é a segunda filha mais nova

A Srta. Cheng Ling tinha apenas 17 anos em março de 2001 quando a polícia prendeu-a por estar copiando à mão um livro do Falun Gong em sua cidade natal. Por cometer este ato inocente, ela ficou detida por quatro meses. Logo depois, em setembro de 2001, a polícia deteve-a novamente por 15 dias. Mais uma vez em outubro e novembro, a polícia deteve-a e tentou submetê-la a sessões de lavagem cerebral para que ela abandonasse sua crença. Em seguida, o Serviço de Segurança Pública da cidade de Lingyuan, condenou esta menina de apenas 17 anos de idade a uma pena de dois anos no notório Campo de Trabalho Forçado de Masanjia na província de Liaoning, onde a torturaram e obrigaram-na a cumprir longas e rígidas horas de trabalho forçado e contínuas sessões de lavagem cerebral. Apesar das dificuldades que ela foi obrigada a suportar e após sua libertação, ela permaneceu fiel a sua crença e continuou a permitir que outras pessoas soubessem do sofrimento dos praticantes do Falun Gong. Por este motivo, em julho de 2003, a polícia de Shuangta na cidade de Chaoyang prendeu-a e deteve-a na prisão de Chaoyang. Ela protestou fazendo uma greve de fome de 25 dias. A polícia alimentando-a à força. Em seguida, o Tribunal de Chaoyang condenou-a a sete anos de prisão.

A Sra. Cheng Yun, de 21 anos é a filha mais velha.

Em 27 de setembro de 2000, a polícia local prendeu a Srta. Cheng Yun, a irmã mais velha de Cheng Ling, e deteve-a na Prisão No. 2 de Lingyuan por um mês e extorquiu 500 yuan dela. Na época, ela tinha 17 anos e em 27 de dezembro de 2000, o Serviço de Segurança Pública da cidade de Lingyuan condenou-a a dois anos no Campo de Trabalho Forçado de Masanjia onde ela foi continuamente torturada na tentativa de forçá-la a desistir de sua prática.

A Sra. Zheng Lihua, de 50 anos, a mãe.

Nos últimos quatro anos, a polícia local prendeu a Sra. Zheng Lihua, mãe da Srta. Cheng, sete vezes. Tentaram submetê-la a lavagem cerebral, extorquir dinheiro dela e jogaram-na em um campo de trabalhos forçados. Em 22 de julho de 1999, na sua primeira prisão, forçaram-na a pagar 200 Yuan. Na segunda vez, em 27 de setembro, ela ficou detida na Prisão No. 2 de Lingyuan por um mês e multaram-na em 500 Yuan. A Sra. Zheng permaneceu firme em seus esforços para revelar a verdade sobre a perseguição aos praticantes do Falun Gong, assim, em dezembro de 2000, eles aprisionaram-na durante dois meses e obrigaram-na a pagar uma multa de 350 Yuan. Em março de 2001, eles mantiveram-na presa durante 15 dias e em agosto de 2002, sujeitaram-na a 25 dias de sessões de lavagem cerebral, e em 25 de abril de 2003, a polícia local a aprisionou por 50 dias. Mais tarde, ela foi sentenciada a três anos de trabalhos forçados no Campo de Trabalho Forçado de Masanjia na província de Liaoning.

A Sr. Cheng Guanghui, de 48 anos, o pai.

A fim de obrigar o Sr. Cheng Guanghui, pai da Srta. Cheng, a desistir de sua crença no Falun Gong, as autoridades tentaram submetê-lo a sessões de lavagem cerebral por nove vezes. As duas primeiras vezes, levaram-no para a Prisão No. 2 de Lingyuan para sessões forçadas de lavagem cerebral. Então, em 12 de dezembro de 2000, quando foi a Pequim para apelar ao Governo Central, a polícia prendeu-o e mandou-o para a Delegacia do Distrito de Fangsan na cidade de Pequim. Lá, eles interrogaram-no com socos, chutes, obrigaram-no a permanecer em posição de cócoras, e aplicaram choques com cassetetes elétricos sobre as palmas das mãos, costas, pescoço e outras áreas de seu corpo por mais de 20 horas. Depois, detiveram-no na Prisão No. 2 de Lingyuan por três meses e meio. O Serviço de Segurança Pública da cidade de Lingyuan sentenciou-o a três anos de prisão. Durante a detenção, os policiais constantemente interrogaram-no através do Sistema de Segurança Pública de Lingyuan. Uma vez, um policial bateu em suas costas, ombros e cintura por mais de duas horas, utilizando um tubo de plástico com mais de um metro de comprimento. Em 19 de dezembro de 2000, a polícia interrogou-o novamente usando o mesmo método por quase duas horas. Em março de 2001, a polícia deteve-o durante 15 dias por copiar à mão materiais sobre o Falun Gong. Em setembro de 2001, outubro de 2001 e agosto de 2002, a polícia local deteve-o na Prisão No. 2 de Lingyuan e tentou submetê-lo a sessões de lavagem cerebral por mais de 33 dias. Em 25 de abril de 2003, Guo Yaohua e Yunbin Zhang, chefes da delegacia local, juntamente com outros oficiais, invadiram sua casa à procura de materiais do Falun Gong. Eles enviaram a Sra. Cheng a sessões de lavagem cerebral e obrigaram o Sr. Cheng a fazer trabalhos forçados por dois meses e meio no Campo de Trabalhos Forçados da cidade de Chaoyang. Em 8 de setembro de 2003, o diretor Pang Yujun da Agência 610 de Goumenzi, juntamente com outros policiais, pularam os muros da casa da família de Cheng e forçaram o Sr. Cheng a se submeter a novas sessões de lavagem cerebral por 12 dias na cidade de Chaoyang. Apesar de todas as prisões e tentativas de lavagem cerebral aos quais ele esteve sujeito, ele não desistiu de sua crença.

O filho mais novo, de 18 anos.

O irmão da Srta. Cheng Ling, que tinha apenas 13 anos de idade em 1999, testemunhou as prisões e a contínua perseguição de todos os membros de sua família. Ele foi deixado sozinho para cuidar de si e para lidar com esses terríveis acontecimentos.


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